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São Roque
Material:  Madeira Talhada  | 
Pintura:  Feito a mão
Escultura sacra antiga em madeira policromada, imaginária popular mineira, séc. XIX/XX. Santo peregrino entalhado à mão, peça de coleção rara.
Detalhe: Mão direita com polegar quebrado (foto)
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Material:  Madeira Talhada  | 
Pintura:  Feito a mão
Escultura sacra antiga em madeira policromada, imaginária popular mineira, séc. XIX/XX. Santo peregrino entalhado à mão, peça de coleção rara.
Detalhe: Mão direita com polegar quebrado (foto)
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Prazo de entrega: 10 dias
Tipo de objeto: Escultura devocional (imaginária religiosa popular), vulto de corpo inteiro
Suporte: Madeira maciça entalhada, policromada e dourada
Técnica: Talha em bloco único (cabeça, auréola e tronco), com mãos entalhadas separadamente e encaixadas por espiga de madeira; camada de preparação (imprimadura) sob a policromia; atributos (cruz) em madeira fina.
Dimensões: Peça de pequeno porte, compatível com uso de oratório ou devoção doméstica (20 cm de altura, 10 cm de largura (costas), 7 cm de largura (lado))
Base: Octogonal, entalhada em continuidade com o corpo, sem indícios de substituição
Procedência declarada: Artesanato de tradição mineira, conforme informação do proprietário; sem documentação de origem disponível para verificação
A peça apresenta características consistentes com produção de imaginária popular brasileira, associada à tradição dos chamados "santeiros" — artesãos rurais ou de pequenos ateliês familiares, comuns em Minas Gerais e regiões vizinhas entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX.
Elementos que sustentam essa atribuição estilística:
Entalhe sintético, sem naturalismo acadêmico — proporções estilizadas, rosto plano com traços esquemáticos;
Auréola radiada vazada, entalhada em bloco contínuo com a cabeça — solução técnica de economia de material típica de ateliês não urbanos;
Paleta de pigmentos terrosos (ocre, verde-oliva, vermelho óxido) e dourado envelhecido, sem verniz sintético aparente;
Encaixe artesanal das mãos por espiga de madeira, técnica de montagem manual incompatível com produção seriada industrial;
Desgaste da policromia concentrado em pontos de manuseio (mãos, base, arestas), coerente com uso devocional prolongado e não com envelhecimento artificial.
Ressalva importante: a datação apresentada (fim do séc. XIX / início do séc. XX) é uma hipótese de leitura estilística, baseada em análise visual e fotográfica. Trata-se de uma atribuição plausível, não de uma datação científica. Uma cronologia precisa exigiria exame direto da peça — identificação da espécie de madeira, análise de pigmentos e, se possível, comparação documental com acervos de referência regionais.
A figura é representada de pé, sobre base octogonal, vestindo túnica longa sob manto que cruza o peito, com auréola radiada vazada sobre a cabeça. Na mão direita — atualmente fraturada, faltando o atributo original — teria segurado um objeto hoje perdido; o proprietário relata tratar-se de um buquê de flores. Na mão esquerda, a figura segura um bordão longo encimado por cruz latina, executado em haste de madeira fina.
A informação transmitida ao proprietário identifica a peça como São Benedito das Flores. Como observação de curadoria, é necessário registrar uma tensão iconográfica entre essa atribuição e os elementos visíveis na escultura:
São Benedito (de Palermo, "o Mouro") é canonicamente representado como santo de traços negroides, em hábito franciscano — elemento fundamental de sua identidade iconográfica no Brasil. A peça em questão apresenta carnação clara e não traz hábito franciscano identificável;
O atributo do bordão encimado por cruz é, na tradição iconográfica, associado a santos peregrinos — como São Roque, São Tiago Maior ou Santo Antônio — e não integra o repertório usual de São Benedito;
O atributo floral, embora de fato associado à lenda do milagre de São Benedito (o pão transformado em flores), também aparece em outras devoções populares.
Diante dessa divergência, recomenda-se tratar a identificação como São Roque como atribuição tradicional/oral, não confirmada iconograficamente pelas evidências visuais disponíveis. É plausível que a peça tenha reunido atributos de tradições devocionais distintas — prática não incomum na imaginária popular, onde riscadores regionais recombinavam elementos por encomenda, disponibilidade de modelo ou reposição de atributos perdidos ao longo do tempo. Alternativamente, pode tratar-se de representação de santo peregrino ao qual se atribuiu, por tradição oral familiar, a identidade de São Benedito. Recomenda-se consulta a especialista em iconografia religiosa popular para confirmação definitiva.
Estado geral: Peça íntegra em sua estrutura principal, com desgaste de superfície compatível com idade e uso devocional
Dano principal: Fratura na mão direita, com perda do atributo original (buquê de flores, segundo relato do proprietário)
Natureza do dano: A análise da área fraturada revela núcleo em madeira maciça, camada de preparação (base branca) e coloração escurecida na superfície de quebra — indícios de que se trata de dano antigo, consolidado ao longo do tempo, e não de fratura recente
Policromia: Perda parcial da camada pictórica em áreas de manuseio (mãos, base, arestas do manto), craquelê visível em diversos pontos, sem indícios de repintura total recente
Recomendação: Não recomendável restauro sem orientação de profissional especializado em imaginária sacra, para não comprometer valor documental e histórico da peça
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